Wednesday, January 23, 2008

Literatura e Cinema

por Darwin Marinho


O livro nos dá a liberdade de imaginar as coisas como queremos, embora haja alguma limitação quando o autor é muito detalhista, mas ainda assim há uma grande liberdade criativa, criamos o ambiente e os personagens a nossa maneira, suas vozes, seu jeito de andar, de se vestir (ou pelo menos acreditamos que fazemos isso). Quando o livro é adaptado para o cinema, tudo isso é roubado. Ler o livro antes do filme pode causar uma sensação de violação dos nossos direitos criativos, ler depois limita de forma considerável a nossa imaginação.

Ao exigir um filme igual ao livro, deixam-se de lado as intervenções criativas e necessárias (em alguns casos) dos diretores e roteiristas, limitar isso pode causar grandes prejuízos estéticos para o filme. Em “Laranja Mecânica”, Stanley Kubrick omitiu o último capítulo do livro e mesmo assim o filme é maravilhoso. As adaptações do Kubrick são incríveis: “Lolita” e “O Iluminado” são filmes tão bons quanto os livros (talvez melhores). Já “Lavoura Arcaica” de Raduan Nassar foi considerada pela cineasta Suzana Amaral (que dirigiu “A Hora da Estrela”) uma das piores adaptações do cinema porque os diálogos são exatamente iguais aos do livro, mas essa foi uma condição imposta ao diretor Luiz Fernando Carvalho, o seu trabalho criativo foi limitado, mas discordo da opinião da cineasta e considero o filme excelente.

Um dos grandes filmes esperados para 2008 é o “Blindness” do brasileiro Fernando Meireles, adaptação do romance “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago. O filme com orçamento milionário já me decepcionou por não ser falado em português, mas tem no elenco grandes atores ( Jullianne Moore, Mark Rufalo) e, mesmo com todas as falhas que venha a ter, a história do Saramago salvará o filme, assim como a do Gabriel Garcia Márquez salvou a adaptação de “Amor nos Tempos do Cólera” que foi duramente criticado pela língua utilizada, pelas atuação caricaturais e pela maquiagem, mas a história agradou muito, mérito do autor, não do diretor.

Mas o que é do autor e o que é do diretor? Livros ruins podem dar bons filmes ou vice-versa? Para acompanhar essas e outras discussões envolvendo cinema e literatura participe do próximo encontro do Por Mais Leitura, no próximo dia 26 na Biblioteca Leonilson que fica no Dragão do Mar.

4 Comments:

Blogger Em quase tudo said...

Poxa, o Darwin escreve bem que só.Ainda bem que é da publicidade, o menino!

Ah, o G.G. Marquez afirmou que de agora em diante os filmes que adaptarem os livros dele só poderam fazer uso de atores latinos.

6:55 PM  
Blogger Em quase tudo said...

em quase tudo = Lara

6:56 PM  
Blogger Ary said...

Bem legal, Darwin!
Não sabia desse detalhe do Laranja Mecânica. Não li o livro, mas gosto muito do filme. Eu acredito que dá pra notar quando há mérito tanto do escritor adaptado quanto do adaptador.

E essa do Marquez huahauhau Foi engraçado. Ele acordou pra incoerencia do projeto...

7:32 AM  
Blogger Prof. João Teles said...

Queria divulgar com vcs o projeto Confraria de Leituras, que existe há 12 anos em Maracanaú e motiva as leituras diversas entre alunos de 08 aos 12 anos.Trabalha teatro, música,prosa, literatura de cordel e outras leituras.Trabalha também a leitura de situações do cotidiano teatralizadas.
Fone: 88362126

12:27 PM  

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